E não há amores eternos, sempre sinceros e com total fidelidade. Mas há a sensação única do primeiro encontro, o toque molhado dos lábios, a promessa de um romance infindável. E não há amores sem mentiras, a dissimulação aguçada nos olhos, e a visita constante da desilusão. Mas há o palpitar acelerado do peito após um abraço apertado, o arrepio da pele após uma leve mordida no pescoço, o calor do corpo entre lençóis, que de desejo chega a transpirar. E não há amores sem intrigas, o ciúme exagerado, e o egoísmo natural do homem. Mas há o sussurrar ao pé do ouvido, o roçar entre - pernas, as mãos que deslizam corpo abaixo, eufóricas, sem destino. E não há amores que não nos roube a liberdade, que não limite nossas aventuras pessoais, e que dos amigos não nos distancie. Mas há o olho no olho, o entrelaçar das mãos macias, o silêncio que tanto nos quer dizer. Não há amor sem desejo mútuo, recíproco, e incondicional. Mas o há enquanto nele se acreditar, enquanto houver cumplicidade, e o amor próprio reine antes de tudo.
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário