domingo, 5 de fevereiro de 2012


União quase insana

dois-coracoes
E foi assim que cheguei, como areia que o vento traz às praias do deserto. Lábios trincados, corpo escorchado buscando o alento de uma sombra no espaço, e paz; paz para um perdido no mundo, por dores perpassado.
 
Então ao longe  tremeluziu uma forma, desfocada, distante caminhando sem rastros, esvoaçando na luz escaldante que o sol derramava sobre os vales sem verde, furioso, como se quisesse queimar o que o mundo tem de formoso.
 
Estendi a mão e me dei à forma, sem ao menos saber  de onde ela vinha, quem era ou o que pretendia. Foi então que ribombando no ar como o som de um trovão palavras se formaram  e eu as pudesse entender:
 
"Sou aquele que sempre esteve contigo
Teu maior, mais próximo e íntimo amigo."

Em minhas andanças, dentro e fora do mundo fosse qual fosse a paragem, percebi naquele segundo que jamais estive só, pois embora perdido, a esmo sempre esteve comigo a presença de mim mesmo.
 
Um Eu Maior, um eu mortal, frutos de união quase insana separados até quando o eu mortal sente a gana
de viver além da dor que o finito lhe traz. Nessa hora o Eu Interno, até então calado e oculto, aflora para por fim ao sofrido inferno.
 
Unidos como sol e luz, mesmo sem ter consciência finito e infinito caminham juntos, mas também separados, e é só quando se rompe o grilhão da inconsciência que ambos podem se ver, e viver, por fim completados.

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